E se uma música NÃO tiver refrão e NEM o título dela na letra?
Uma das regras ensinadas ao escrever uma música é que o título deve ser citado no refrão. Isso costuma ser defendido por dois motivos:
- O refrão é o resumo: Enquanto os versos dão detalhe, no refrão o artista dá um resumo sobre o quê ele está falando ou do que se trata a ideia.
- É a parte que o público canta junto: Por isso o refrão precisa ser simples, marcante e memorável. Ao colocar o título ali, a teoria diz que quem decora a letra, automaticamente grava o nome da faixa.
E se a música não tiver refrão? Então o título deve aparecer ao menos uma vez em alguma parte da música.
Mas temos um problema aí: nem toda música segue essa lógica, e mesmo assim, muitas delas se tornam memoráveis e interessantes.
O exemplo prático: A trilogia Trindade do Rapper Rodrigo Ogi
Um dos maiores exemplos disso no rap nacional é a sequência Trindade 1, 2 e 3, do álbum Rá! (lançado pelo Rodrigo Ogi em 2015).
Nessas faixas, o Ogi constrói uma narrativa em três pontos de vista diferentes:
- Trindade 1: Cantada em primeira pessoa na pele de um taxista que pega um passageiro.
- Trindade 2: Cantada na pele desse passageiro, que acaba sendo morto por um policial.
- Trindade 3: Cantada na pele do próprio policial, que relata uma "noite tranquila" logo após ter tirado uma vida.
Por que essas faixas dão tão certo se:
- O título da música não é citado em nenhum momento?
- Elas não têm um refrão marcante?
- Não dependem de uma melodia grudenta?
Resposta: Pelo poder de CONTAR HISTÓRIA, Ou melhor, STORYTELLING
Uma das coisas que mais prende a atenção de alguém e faz uma música ser lembrada é a capacidade do artista de contar uma história (fictícia ou real).
Ao criar uma história o autor cria cenários, objetos, ações, imagens visuais, personagens, início, meio, fim, lições e etc. Isso faz ele imaginar a cena e acompanhar o filme dentro da própria cabeça. Outro motivo é que a história faz a pessoa ter empatia pelo personagem e até lembrar de alguém, algum caso ou se identificar com a própria história
E na sua visão? O que você acha?
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